terça-feira, 2 de dezembro de 2014



Raqs sharqi (Árabe : رقص شرقي‎, Árabe Egípcio [ˈɾˤɑʔsˤe ˈʃæɾʔi]; literalmente "dança do oriente ") é o estilo clássico Egípcio de dança oriental que se desenvolveu durante a primeira  metade do século XX. Contudo, a sua origem é um pouco incerta (datada entre 7000 e 5000 a.c), sendo praticada em diversas regiões do Médio Oriente e Ásia Meridional. Os seus movimentos sinuosos (como o das serpentes), aliados a música, foram registados no Antigo Egipto, Babilónia, Mesopotâmia, Pérsia e Grécia, e tinham como objectivo preparar a mulher através de rituais religiosos dedicados a deusas para se tornarem mães. Com a invasão dos árabes, a dança foi propagada por todo o mundo. É composta por uma série de movimentos de vibrações, impacto, ondulações e rotações que envolvem o corpo como um todo.

Baseada no ghawazi tradicional e noutros estilos de folclore e formada por influências ocidentais tais como bandas de marcha, Ballet Russo, Dança Latina, etc., este estilo híbrido era dançado nos cabarés entre  o período pós-guerra Egípcio e o início do Cinema Egípcio.
Este estilo é muitas vezes considerado o estilo clássico de dança oriental, embora este termo históricamente se referisse ao estilo ghawazi, e actualmente abrange uma enorme variedade de danças do Médio Oriente,  bem como estilos Ocidentais que posteriormente foram adaptados a esta dança.

Ghawazee ou Ghawazi - significa 'cigana' egípcia



HISTÓRIA:


Tendo sido influenciada por diversos grupos étnicos do Oriente, absorveu os regionalismos locais, que lhe atribuíam interpretações com significados regionais. Surgiam desta forma, elementos etnográficos bastante característicos, como nomes diferenciados, geralmente associados à região geográfica em que se encontrava; trajes e acessórios adaptados; regras sobre celebrações e casamentos; elementos musicais criados especialmente para a nova forma; movimentos básicos que modificaram a postura corporal e variações da dança. Nasce então, a Dança Folclórica Egípcia.

A dança começou a adquirir o formato actual, a partir de Maio de 1798, com a invasão de Napoleão Bonaparte ao Egipto, quando recebeu a alcunha Danse du Ventre (Dança do Ventre) pelos estudiosos do Oriente que acompanhavam Napoleão. Porém, durante a ocupação francesa no Cairo, muitas bailarinas fogem para o Ocidente, pois a dança era considerada indecente, o que leva à conclusão de que conforme as manifestações políticas e religiosas de cada época, era reprimida ou cultuada: o Islamismo, o Cristianismo e conquistadores como Napoleão Bonaparte, reprimiram a expressão artística da dança por ser considerada provocante e impura.
Neste período, os franceses encontraram duas classes de bailarinas:
  • As Awalim (plural de Almeh), consideradas cultas demais para a época, poetizas, instrumentistas, compositoras e cantoras, cortesãs de luxo da elite dominante, e que fugiram do Cairo assim que os estrangeiros chegaram;

Awalim



  • As Ghawazee (plural de Ghazeya), bailarinas populares, ciganas - descendentes dos grupos de ciganos dumi (دومي) (ou nawar) e helebi (os mais comuns no Egipto e na região do Levante), que passavam o tempo entretendo os soldados. Entre os ciganos do Médio Oriente, a dança não é considerada vergonhosa, e as suas mulheres cantam e dançam para animar festas de casamento e eventos em geral, o que é aceite pela sociedade mais ampla, mas contribui ainda mais para manter os ciganos com status mais inferior.

Ghawazee


Originalmente a dança possuía um aspecto religioso nos cultos à deusa mãe, não se sabe ao certo como foi a ligação com a ideia da prostituição, mas acredita-se que tudo tenha começado no período de transição do matriarcado para o patriarcado, quando as danças femininas passam a ser vistas como ameaça ao novo domínio político.
A história dá um salto, e em 1834, o governador Mohamed Ali, proíbe as performances femininas no Cairo, por pressões religiosas. Em 1866, a proibição é suspensa e as Ghawazee retornam ao Cairo, pagando taxas ao governo pelas performances.
No início da ocupação britânica em 1882, clubes nocturnos com teatros, restaurantes e music halls, já ofereciam os mais diversos tipos de entretenimento.


EVOLUÇÃO

O cinema egípcio começa a ser rodado em 1920, e usa o cenário dos night clubs, com cenas da música e da dança regional. Hollywood passa a exercer grande influência na fantasia ocidental sobre o Oriente, modificando os costumes das bailarinas árabes. Surgem bailarinas consagradas, nomes como Samia Gamal e Taheya Karioca, entre muitos outros ainda hoje estudados pelas alunas de Dança Oriental. O aspecto cultural da prostituição relacionada à dança passa a ser dicotomizado: criam-se bailarinas para serem estrelas, com estudos sobre dança, ritmos árabes e teatralidade.

Nas actuações de palco, determinados elementos cênicos foram incorporados, principalmente no Ocidente:
  • Espada: A origem é nebulosa e não necessariamente atribuída á cultura egípcia ou árabe, sendo explicada por várias lendas e suposições.




Alguns estudiosos da dança do ventre afirmam que, na época das invasões dos bárbaros (hoje árabes) em terras egípcias, as bailarinas eram escravizadas e dançavam equilibrando espadas na cabeça como uma forma de dizer; "sua espada aprisiona meu corpo, mas meu espírito é livre!".
    • O que é certo, porém, é que a bailarina que deseja dançar com a espada, precisa demonstrar calma e confiança ao equilibrá-la em diversas partes do corpo;
    • Pontos de equilíbrio mais comuns: cabeça, queixo, ombro, quadril e coxa;
    • Também é considerado um sinal de técnica executar movimentos de solo durante a música;
  • Punhal: Variação da dança com a espada, também sem registo de uso nos países árabes.



Alguns estudiosos da dança defendem a origem da dança com o punhal também na invasão dos bárbaros. As bailarinas eram tomadas também como escravas sexuais e, quando engravidavam, era comum perderem seus bebés, devido ás condições precárias de saúde e saneamento básico. Então, dançavam fazendo movimentos circulares com o punhal em torno da barriga em referência ao seu luto.
    • O desafio para a bailarina nesta dança não é a demonstração de técnica, mas sim a de sentimentos;
  • Véus: Ao contrário do que se pensa, é uma dança de origem ocidental norte-americana, tendo sido, portanto, criada há pouco tempo, ao contrário das danças folclóricas.



Existe uma parte dos estudiosos que encontra sim, a origem da dança dos véus no oriente médio. A Dança dos Sete Véus, faz uma referência aos sete chakras principais (pontos de energia do corpo) e é por isso que os véus têm as mesmas cores dos chakras. Na Dança dos Sete Véus, cada véu que a bailarina deixa cair é como se fosse um chakra que se mostra. O último véu que cai se refere ao chakra chamado Kundalini. A Kundalini é representada por uma serpente e se localiza no final da coluna vertebral na altura dos órgãos sexuais. É por isso que a Dança dos Sete Véus somente deve ser dançada para a pessoa amada, pois ao deixar cair o último véu, a bailarina fica prometida à pessoa para quem estiver dançando. Um bom exemplo desta nuance da cultura oriental é a bíblia dos católicos, quando cita à dança de Salomé para Herodes Antipas à quem fica prometida em troca da cabeça decapitada de João Batista.
    • Hoje é uma dança extremamente popular, e mesmo os leigos na Dança Oriental costumam entendê-la e apreciá-la.

Danças folclóricas

  • Candelabro (Raqs Al Shamadan): Elemento original egípcio, o candelabro era utilizado no cortejo de casamento, para iluminar a passagem dos noivos e dos convidados. Dança-se, actualmente, como uma representação deste rito social, utilizando o ritmo zaffa.


Raqs Al Shammadan- Dança do Candelabro




  • Taças: Variação ocidental da dança com candelabro.



Dança com Taças

  • Khaleegi: Dança dos países do golfo pérsico. É caracterizada pelo uso de uma túnica longa e fluída e por intenso uso dos cabelos. Caracteriza-se por uma atmosfera de união familiar, ou simplesmente fraterna entre as mulheres presentes. Dança-se com ritmos do golfo, principalmente o soudi.


Khaleegy




  • Jarro: Representa o trajeto das mulheres em busca da água. Marcada também pelo equilíbrio.

Dança com o Jarro



  • Saidi: Dança do sul do Egito, podendo ser dançada com o bastão (no ocidente, bengala).

                                                                           Saidi - Folclore Egípcio


Tahtib - Arte Marcial masculina com bastões, convertida em dança folclórica masculina


Raqs Al Assaya - Dança Folclórica feminina, com uso de bastões


Saidi - Tahtib e Raqs Al Assaya

  • Hagallah: Originária de Marsa Matruh, na fronteira com o deserto líbio.



  • Meleya Laff: representação do quotidiano portuário egípcio de Alexandria. As mulheres trajam um pano (meleya) enrolado (laff) no corpo.
As danças folclóricas normalmente retratam os costumes ou rituais de certa região e por isso são utilizadas roupas diferentes das da dança do oriental clássica.





  • A dança com a cobra - a cobra era considerada sagrada no Antigo Egipto e por isso algumas bailarinas fazem alusão nas performances - mas não é considerada representativa da dança.









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